27 outubro 2026
27 out. 2026

«Fazei os nossos corações semelhantes ao Vosso Coração» – Conferência pastoral na Polônia

«Fazei os nossos corações semelhantes ao Vosso Coração» – Conferência pastoral na Polônia
Organizada pelo Centro de Espiritualidade Dehoniana, a 6ª Conferência Pastoral realizou-se a 10 de outubro de 2026 na Domus Mater — a primeira casa dehoniana na Polônia —, contando com uma expressiva participação tanto de religiosos consagrados quanto de fiéis leigos.
por  Dorota Mazur, OV
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Reunida sob o tema «Fazei os nossos corações semelhantes ao Vosso», a assembleia acolheu numerosos participantes no Centro de Espiritualidade Dehoniana. Entre eles encontravam-se confrades da Província Polonesa dos Padres do Sagrado Coração (Dehonianos), pessoas consagradas, religiosas, bem como amigos que representavam diversas paróquias e movimentos dehonianos, nomeadamente as Comunidades Leigas Dehonianas, o Movimento Juvenil Dehoniano e a Guarda de Honra do Sagrado Coração de Jesus.

Os participantes foram acolhidos pelo Pe. Damian Płatek, SCJ, diretor do Centro de Espiritualidade Dehoniana. O discurso de abertura foi proferido pelo Pe. Sławomir Knopik, SCJ, Superior Provincial da Província Polonesa da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Ele expressou a sua alegria por ocasião da beatificação do beato Martino Capelli, SCJ. Referindo-se às palavras do Superior Geral da Congregação, Pe. Carlos Luis Suárez Codorniú, SCJ,que encorajou todos a seguirem o exemplo do dehoniano recém-beatificado e a recordarem sempre o valor da vida espiritual, o amor para com a Mãe de Deus e o cuidado com o carisma dehoniano, sublinhou a importância de permanecer fiéis a estes valores.

«O Coração de Deus e o coração humano na Bíblia»

O primeiro conferencista, o Pe. Mateusz Targoński, doutor em teologia, apresentou uma palestra intitulada «O Coração de Deus e o coração humano na Bíblia». No início da sua intervenção, recordou que a conceção europeia do coração foi moldada pela cultura helenística, na qual o coração é considerado, acima de tudo, a sede das emoções e da fé, ao passo que apenas de forma secundária representa as inclinações interiores e as intenções de uma pessoa. O Pe. Targoński assinalou também que o terceiro significado do coração, e o mais frequentemente esquecido, é a mente. Continuando a sua apresentação, sublinhou que o coração abrange a pessoa por inteiro e constitui a parte mais íntima do ser humano,responsável por toda a vida humana, já que a nossa humanidade decorre do coração. Esta compreensão interior do coração é particularmente evidente na expressão bíblica «dizer no seu coração», que significa pensar ou falar para si próprio. A razão e a vontade determinam a nossa conduta e as nossas escolhas, uma vez que o coração é o centro da tomada de decisões. O que nasce no coração molda o nosso comportamento, seja ele bom ou mau, e influencia as nossas relações.Como concluiu o orador, só Deus conhece o coração do homem.

O coração do homem moderno

O segundo orador, o Pe. Rafał Dudała, doutor agregado, interveio sobre o coração do homem moderno. Começou por lançar a pergunta: O que determina as nossas vidas? O que enche o meu e o vosso coração?

Procurando respostas para estas questões nas suas reflexões, salientou que o coração do homem moderno está muitas vezes disperso e dividido. Contudo, deveria ser sobretudo um lugar onde procuramos respostas para as perguntas que inquietam a alma humana, um ponto central para descobrir a verdade sobre nós mesmos e — quando a fé entra em ação — um espaço onde as respostas são encontradas no contexto da presença de Deus e à luz da fé. O conferencista abordou igualmente as pressões, o vazio, a tristeza e as demais emoções que enfraquecem o coração. Não obstante, o coração pode superar o vazio que brota de tais circunstâncias e encontrar alegria em muitas coisas. Apoiando-se no pensamento e na mensagem de Viktor Frankl, lembrou ao público que a tarefa do coração é procurar o sentido. A exposição concluiu-se pondo em evidência um desafio pastoral: compreender a teologia do coração, um coração batizado na alegria, não simplesmente como um remédio para todo o tipo de sofrimentos e dores, mas como uma realidade cheia de alegria que desperta a gratidão no coração dos outros.

Partilhas e Debates

Após uma breve «pausa para café», seguiu-se um momento de diálogo, moderado pelo Pe. Damian Płatek, SCJ, e pelo Pe.Jakub Bieszczad, SCJ. Para além de partilharem testemunhos sobre a ação do Sagrado Coração de Jesus nas suas vidas, os participantes refletiram sobre o modo de aproximar o coração do homem contemporâneo do ideal bíblico e sobre a forma de promover a devoção ao Sagrado Coração de Jesus no mundo de hoje.

Ficou vincado que as relações se podem construir através de um «coração que escuta» — um coração sábio que não apresenta respostas prontas, mas escuta as interrogações daqueles que vêm até nós. A misericórdia consiste em dar o nosso coração aos outros, e é dessa forma que se constroem as relações e as comunidades.

Missa presidida por Dom Stanisław Salaterski

O ponto alto deste dia de encontro foi a celebração da Eucaristia no santuário de Nossa Senhora da Bendita Maternidade,presidida por D. Stanisław Salaterski, da diocese de Tarnów. No início da missa, as relíquias do beato Pe. Martino Capelli,SCJ, foram introduzidas solenemente na igreja, assinalando o seu acolhimento formal por parte da Província Polonesa da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. No começo da sua homilia, D. Stanisław Salaterski apresentou Maria como o modelo de mãe de coração aberto, disposta a dar-nos Jesus como remédio para todas as nossas inquietações e angústias. Frisou que, sem o respeito pela vida desde a conceção e sem o sentido de responsabilidade para com a vida,torna-se difícil falar em escutar e permanecer fiel ao ensinamento de Deus:

«A escuta da Palavra de Deus é uma mensagem muito próxima dos nossos corações no Coração de Nosso Senhor Jesus, e especialmente significativa neste lugar: o santuário de Nossa Senhora da Bendita Maternidade», declarou o bispo.

Insistiu ainda no facto de os homens de hoje se terem tornado indiferentes ao pecado e ao mal, o que torna a reparação das faltas mais difícil. Subsiste, contudo, a esperança de que Deus veja cada esforço feito neste sentido, apesar das provações e dos obstáculos. O nosso apostolado e a nossa partilha do bem possuem uma longa e rica tradição na vida da Igreja e das congregações religiosas. Esta tradição pode servir de alicerce para ir ao encontro dos demais com o Coração de Jesus.

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