26 julho 2021
26 jul 2021

#scjnews l 12

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Entrevista com o padre Eli Lobato dos Santos, scj nomeado superior provincial da BSP
por  Renato Lima scj
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Padre Eli, seja muito bem-vindo. Agradeço sua disponibilidade para esta entrevista. Como o senhor, conhecedor de tantas realidades da província BSP, espera começar esse triênio como superior provincial?

Na minha resposta ao Superior Geral eu citei Fl 2,12… Começo a minha missão, com “temor e tremor”, mas também com muita confiança, tanto confiança em Deus, que é o dono da congregação, que é o dono da província e, enfim, de todos nós, mas também confiança em tantas pessoas que se manifestaram, por ocasião da minha nomeação, expressando não só a sua solidariedade e oração, como também manifestando o desejo de cooperação para o novo triênio.

Quais seriam as prioridades para esse período?

Contemplando o panorama que atravessamos, me parece um período muito difícil. Há uma crise na sociedade, como há também uma crise dentro da Igreja e, por extensão, na própria Congregação e na província. Parece-me que uma prioridade seria uma reflexão consistente sobre o que objetivamente nós somos, como consagrados, como presbíteros, e o que devemos ser. Trata-se daquilo que fala São João: nós já somos filhos “mas ainda não se manifestou exatamente o que seremos” (cf. 1 Jo 3,2). Então, trata-se de uma reflexão aprofundada sobre a nossa configuração como religiosos presbíteros. Por extensão, entra a pessoa do religioso e também a formação para os votos perpétuos que, parece-me, anda um pouco defasada. Depois entram outras coisas, como a administração paroquial. Temos tido alguns casos graves de má administração paroquial. Mas a reflexão mais importante é sobre aquilo que nós somos e devemos ser neste tempo de crise em todas as esferas sociais e eclesiais.

O senhor acredita que este novo governo será um governo de continuidade ou será um governo de mudança… Como o senhor poderia definir isso?

Eu gosto de uma resposta que o Papa Bento XVI deu a uma pergunta parecida com essa… Para certas pessoas, quando se fala em continuidade, se pensa na mesma coisa; quando se fala em novidade, parece que se pensa na rejeição de tudo que é do passado. Nenhuma dessas duas formas de pensar nos serve. “O broto novo da árvore depende do galho antigo”. Existe sempre na Igreja uma continuidade. Existe o broto novo, mas esse broto novo depende do que vem antes. Uma continuidade, sim, mas será, necessariamente, um broto novo, não só porque é um novo governo, mas porque é uma nova fase na vida de todos nós, e da própria província e da congregação. Só o provincial eleito é que é um pouco velho…

Na província BSP temos uma grande vitalidade, mas também sabemos que alguns jovens que têm deixado a vida religiosa. Como lidar com esta situação?

No longo período em que fiquei na formação eu me perguntei sobre isso.  O que acontecia? Quais eram os problemas? Parece-me que o ideal de ser um homem consagrado está presente em todos nós, e em pelo menos boa parte dos formandos com quem eu tive a oportunidade de conhecer. Porém, no percurso, tem alguma coisa que faz obscurecer e embaraçar este ideal e o sujeito começa a se encantar com outras coisas. Assim, há uma questão no percurso que precisa ser discernida: temos que refletir e ver o que está acontecendo. Um pouco da minha reflexão leva a crer que existe algum tipo de contaminação na vida fraterna em comunidade, que faz minar o ideal. Uma espécie de vírus que penetra na vida fraterna em comunidade e contamina também o jovem religioso e, poucos anos depois, mesmo tendo abraçado o presbiterato, pede para ir embora.

Qual é sua opinião sobre a formação para a internacionalidade.

Em algumas reuniões pareceu-me que a formação para a internacionalidade é compreendida como o envio de membros da nossa província para outras entidades. Eu acho que internacionalidade é um pouco mais que isso. A igreja é católica, é internacional. Nós somos chamados a viver uma comunhão que é, de fato, internacional muito antes de qualquer fundador de congregação ou de qualquer Capítulo. Então, a catolicidade da Igreja é a internacionalidade que nos compete, já de imediato. Em segundo lugar: quanto ao envio de membros para outras entidades, a Província BSP tem feito isso há muito tempo. Se nós pegarmos o “Elenchus” (nota do editor: publicação que coleta os dados pessoais de todos os SCJs), são mais de vinte os religiosos que estão trabalhando em outras entidades: Canadá, EUA, Europa, África, Ásia, América Latina. Então, graças a Deus, já se vive essa internacionalidade como participação e como serviço em outras entidades.

Padre, falando um pouco sobre Brasil: temos três províncias (BSP, BRM e BRE) e dois distritos (BSL e BMT). Quais são os desafios, segundo o seu ponto de vista, para a Igreja no Brasil e  para nossas entidades?

O desafio continua sendo este: a Igreja ser, de fato, Igreja. Nós somos Igreja e Igreja que tem uma missão muito específica. A gente pode até discutir, um pouco, as dobras dessa missão. Pode variar aqui e ali, mas o essencial nosso é ser Igreja Católica Apostólica Romana. Ouço de algumas pessoas muito sérias que nem tudo o que se chama Igreja é, de fato, igreja. Nós somos chamados a ser, aqui no Brasil, a Igreja Católica, e o nosso específico é isso aqui. É isso que faz a diferença para a sociedade. Nós temos que conservar aquilo que é o verdadeiro da vida católica, para poder contribuir. Mudando algumas coisas e nivelando por baixo nós não vamos contribuir como deveríamos. O que nós temos para oferecer é muito valioso, e algumas pessoas não percebem isso. A riqueza da Igreja é a sua espiritualidade, é a Palavra de Deus, é a sua catequese, é a sua capacidade de agregar pessoas.

Para que nós encerremos, eu gostaria que o senhor desse uma palavra, tanto para os da província BSP, mas também para toda a família dehoniana.

A minha palavra é, naturalmente, de esperança e de confiança. Estamos terminando mais um mês e vamos começar outro. Isso pode nos dar a impressão de que o tempo gira de uma forma tão independente de nós que parece que nós somos reféns, de que o tempo nos domina de uma forma que nós não podemos fazer nada. Não é bem assim. A sucessão do tempo não impede que nós compreendamos que o tempo não é uma prisão. Ele é um percurso que eu estou fazendo. E o mais bonito da nossa fé é que nós acreditamos que durante o percurso, e no fim do percurso, há Alguém. Não é um tempo que se sucede loucamente e depois dá em nada. Não! Há Alguém que nos acompanha e que nos espera no fim do percurso. Isso vale para todas as circunstâncias, muito mais para a circunstância que me diz respeito no momento. Eu não estou só. Há alguém que nos acompanha. O tempo litúrgico nos mostra isso. Então, minha mensagem é de esperança. Não sabemos quando vai terminar a pandemia, quantas pessoas ainda nós vamos perder ou quanto vamos ainda sofrer, mas sabemos que não estamos sós, e que no fim de tudo, vamos chegar a um encontro que faz toda a diferença para nós, seja no trabalho mais imediato, seja numa perspectiva mais ampla.

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