20 maio 2026
20 mai. 2026

Tu és herdeiro… Uma leitura do filme Sagrado Coração (2025)

Tu és herdeiro… Uma leitura do filme Sagrado Coração (2025)
O recente sucesso do documentário francês sobre o Sagrado Coração revela a surpreendente vitalidade de uma devoção que se julgava esquecida. Eis uma leitura do Padre Jakub Bieszczad, SCJ, cuja espiritualidade dehoniana se baseia precisamente no Sagrado Coração.
por  Jakub Bieszczad, SCJ
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Os ecrãs de cinema do mundo tradicionalmente cristão foram recentemente invadidos por uma produção francesa que parece abordar um tema que tem muito pouco a ver com os gostos e as tendências atuais da arte cinematográfica. O documentário Sacro Cuore. Il suo regno non avrà mai fine (Sagrado Coração. O seu reino não terá fim) alcançou inclusive um certo sucesso, despertando um interesse que resultou numa campanha negativa e na censura em França, um país que se declara leigo há um século. O fenómeno estendeu-se depois aos cinemas de outros países, hipnotizando novas franjas da sociedade, que ficaram surpreendidas ao descobrir que, por trás da devoção pelas doces pagelas de um “belo jovem” de coração ardente, se esconde ainda uma profunda espiritualidade e vitalidade eclesial. Esta produção insere-se, de facto, na celebração do jubileu recém-concluído das Grandes Aparições do Sagrado Coração a Santa Margarida Maria Alacoque, ocorridas há 350 anos. A sua mensagem está em perfeita harmonia com a última encíclica do Papa Francisco sobre o Sagrado Coração, Dilexit nos.

Uma espiritualidade sempre atual

O dehoniano que entra em contacto com este exemplo, nada evidente, de arte cinematográfica poderá sentir-se, por assim dizer, em casa, ao descobrir uma mina de inspirações para viver o seu próprio amor ao Sagrado Coração de Jesus. Além disso, isto poderá confirmar o sentimento de que esta intuição espiritual conserva precisamente toda a sua atualidade num mundo que tem cada vez mais dificuldade em compreender as formas tradicionais de devoção. O filme propõe também as histórias concretas de pessoas que foram surpreendidas pela graça da conversão no espírito desta espiritualidade, explorando as suas vidas à luz da fé. O espectador é catapultado para um mundo de figuras que o ligam à vida de Cristo, à vida da santa da Borgonha e à dos devotos do século XIX: Georges Desvallières, a irmã Marie-Julie Jahenny e muitos outros. A devoção está viva em diferentes períodos da história da Igreja e desperta o desejo de se aproximar da verdadeira fonte do amor, o seu Coração.

O sentido da reparação

Todo o filme traz consigo o desafio de se deixar envolver numa obra tão grande que não é uma mera proposta de piedade, mas situa-se no coração mesmo da vocação cristã. Cristo não apareceu a Santa Margarida Maria por acaso: a experiência da visitandina do século XVII não representa uma série de novas práticas devocionais destinadas a tornar a fé mais atraente. O convite de Cristo explica-se precisamente na colaboração que a tradição da devoção ao Sagrado Coração chama de “reparação”. Mas, neste ponto, o dehoniano parece chamado a fazer uma glosa importante, dada a compreensão deste conceito apresentada no filme, que está em contraste com a do Padre Dehon. A sua definição simples e justa de “surplus de amor” continua, no entanto, válida, entendida por agora como uma atividade humana que, por si só, é chamada a preencher aquilo que se encontra desprovido deste amor. O fundador os dehonianos, por outro lado, propunha que a reparação fosse vista como a obra do próprio Cristo, na qual se pode participar graças ao ato de fé e de caridade realizado no corpo místico de Cristo, primariamente na Eucaristia. Desta forma, a visão poderia recuperar a sua frescura e atualidade essenciais, superando a penitência e a substituição compensatórias em favor da centralidade de Cristo, que já salvou o homem que ama.

Herdeiros de um mistério vivo

Este documentário ficcionado com uma hora e meia de duração faz de nós, espectadores, os herdeiros do mistério e do dom do Sagrado Coração na sua dimensão histórica. Atua também sobre as consciências, sugerindo que cada um pode sempre colocar-se no mesmo caminho que Santa Margarida Maria traçou de forma decisiva, inscrevendo-se na história da mística que queria reler o mistério de Cristo encarnado, imolado e eucarístico. O entrelaçamento entre a história, a teologia e a vida da Igreja faz-nos compreender a sua potência espiritual, capaz ainda hoje de mudar a perspetiva de todos os países.

A mensagem de Paray-le-Monial faz parte do tesouro da tradição da Igreja, no qual se podem encontrar as ferramentas para la conversão, a comunhão e a esperança. O Coração aberto na Cruz inspira ainda hoje não só aos sacrifícios, mas sobretudo a crer neste amor que nunca deixa os homens sozinhos.

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