O Pe. Santoso é um dos missionários da ICA que reside em Macau. Em março de 2025, foi operado ao pé devido a complicações causadas pelo diabetes. Não desistiu e, durante a sua recuperação, descobriu uma oportunidade que nunca tinha imaginado: a pintura. O que se segue é a sua reflexão pessoal.
Durante oito meses, estive a recuperar de uma cirurgia na perna. A minha perna direita teve de ser amputada abaixo do joelho devido ao diabetes.
Durante este período de recuperação, vivi numa atitude de entrega total. Ao refletir sobre este ano que passou, chamei-lhe “Um Ano de Entrega”. Expressei esta reflexão numa das minhas pinturas enquanto celebrava o meu 28º aniversário de vida religiosa.
A minha experiência ao longo destes oito meses foi a seguinte: de 2 a 21 de março de 2025, estive no Hospital Januário, em Macau. De 22 de março a 29 de maio de 2025, vivi na Comunidade SCJ em Macau. Depois, de 30 de maio a 17 de outubro de 2025, fui submetido a uma reabilitação intensiva e continuei no Hospital Januário. Resido agora na Casa de Formação com quatro irmãos SCJ que estão em missão de estudos. Atualmente, continuo à espera da minha prótese.
Tive uma experiência única durante este tempo: enquanto recuperava no hospital, tive a oportunidade de pintar entre as sessões de terapia. Crio arte usando o método “Nagomi”, trabalhando com pastéis e moldando as cores com os dedos. Até à data, concluí mais de 100 pinturas. Ofereci algumas a médicos, enfermeiros e paroquianos que mas pediram.
Pintar tornou-se uma jornada especial para mim. Em cada peça, incluo uma mensagem que reflete o que quer que esteja no meu coração e na minha mente. Cada pintura é uma bela combinação de imagem e mensagem. Esta experiência renovou o meu entusiasmo pela vida. A minha vida continua colorida, como a mistura de tons nas minhas obras, que se unem em harmonia.
“Um Ano de Entrega” tem sido um tempo para abraçar as novas oportunidades que Deus me deu. É claro que já não posso ser tão ativo como antes, mas agora escolho continuar a servir acompanhando os jovens irmãos dehonianos que estudam na Universidade de São José.
Prometo a mim mesmo que a minha vida continuará a ter sentido e harmonia — como padre dehoniano.















