É o ensinamento de todo o Evangelho. Deus uniu o Verbo encarnado à sua realeza e encarregou-o de governar o céu e a terra: «Todo o poder me foi dado no céu e na terra. – Tudo me foi entregue por meu Pai», diz Nosso Senhor em São Mateus (capítulos 28 e 11). «O Pai ama o Filho e entregou tudo nas suas mãos. – Meu Pai, os meus discípulos eram teus, mas tu dás-los a mim», diz ainda Nosso Senhor em São João (capítulos 3 e 17). «O seu Pai colocou tudo sob a sua dependência e constituiu-o cabeça de toda a Igreja», diz São Paulo aos Efésios (cf. Ef 1,22).
«Não foi aos anjos que Deus submeteu o mundo futuro», diz São Paulo aos Hebreus (Heb 2,5 ss.). Mas diz num passo da Escritura (Sal 8): «Que é o homem para que te lembres dele, ou o filho do homem para que o visites? Fizeste-o, por um pouco de tempo, inferior aos anjos; depois coroaste-o de glória e de honra, deste-lhe o domínio sobre as obras das tuas mãos e puseste todas as coisas debaixo dos seus pés».
A partir do momento em que Deus lhe submeteu todas as coisas, acrescenta o Apóstolo, não deixou nada que não lhe esteja sujeito.
Nosso Senhor descreveu-nos ele mesmo a sua realeza de amor: Aprendei de mim, que sou manso e humilde de Coração.O profeta tinha dito a Sião: «Eis que o teu rei vem a ti cheio de mansidão» (Zac 9,9).
Infinita mansidão, doçura e humildade de coração, tal é o caráter do nosso divino rei Jesus. O seu jugo é suave, o seu fardo é leve, e junto dele há consolação e alívio: «Vinde a mim, todos os que estais cansados» [cf. Mt 11,28].
No Calvário, a cruz é o seu trono; a lança é o seu cetro; o sangue do seu Coração cobre todo o seu corpo como um manto de púrpura.
O título da cruz proclama a sua realeza a todos os séculos: «Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus» [Jo 19,19]. É o reinado do amor, o reinado do Sagrado Coração.
Qual é o código deste reino? Mansidão e humildade, paciência e caridade, essa é toda a sua lei.
Este reino tem um estandarte sagrado: é primeiro a cruz, é o Crucificado cujo peito está ferido pela lança. Depois, o próprio Crucificado afasta o véu e mostra-nos, no seu peito, o seu Coração aberto, e este Coração sagrado torna-se um segundo sinal acrescentado à cruz: um sinal destinado a marcar uma nova efusão de amor do Salvador, um pedido de amor cada vez mais premente, um pedido de reparação e de sacrifício por amor.
O reinado de Cristo torna-se o amor do Sagrado Coração.
(Fonte: L’année avec le Sacré-Cœur 8/223-224.228-230)
Ritual para a adoração eucarística em memória do falecimento do Venerável João Leão Dehon



