Entrevista com o Superior Geral sobre o Encontro dos Bispos Dehonianos 2026
De 26 a 30 de abril de 2026, os bispos dehonianos se reunirão na Espanha com a administração geral da Congregação. Entrevista com o Superior Geral, Pe. Carlos Luis Suárez, SCJ, sobre o objetivo deste encontro e sobre a relação de um bispo com sua Congregação.
Há algum tempo, o senhor vem preparando um encontro dos bispos dehonianos, esses religiosos a quem o Santo Padre confiou uma missão como bispos. O que é, na realidade, um encontro de bispos dehonianos?
Padre Carlos Luis Suárez, SCJ: Bem, é verdadeiramente um encontro muito especial. Depois de oito anos, nos reencontramos com nossos confrades que foram nomeados bispos na Igreja. Este compromisso particular é uma alegria: a alegria de compartilhar nossa vocação, nossa vocação comum como SCJ e, sobretudo, de aprender com eles, com suas experiências. É também um momento para compartilhar a vida cotidiana deles e, juntos, uma mesma espiritualidade.
Olhando para o passado, quantos encontros deste tipo já foram realizados?
Pelo que eu saiba, o primeiro encontro ocorreu em 1999, mas envolvia apenas os bispos SCJ de línguas portuguesa e espanhola. Aconteceu em São Paulo, no Brasil, e apenas dez bispos estavam presentes na época. Depois veio a ideia de que tais reuniões deveriam ser repetidas com todos os bispos da congregação em outra ocasião. Eles ficaram entusiasmados, pois perceberam que realmente precisam viver seu ministério como SCJ.
Por que o encontro não está sendo realizado em Roma desta vez, como os anteriores, mas sim em Puente la Reina, na Espanha?
Sim, os dois últimos encontros foram celebrados aqui em Roma, em 2013 e em 2018. E agora em Puente la Reina — por quê? Porque este ano, no contexto do Jubileu Dehoniano, temos a oportunidade de celebrar o 25º aniversário da beatificação do Bem-aventurado Juan María de la Cruz. Seus restos mortais repousam lá, em Puente la Reina. Por isso, pensamos que esta é uma ocasião importante para estarmos juntos com um de nossos irmãos que foi uma verdadeira testemunha do Evangelho de Jesus — uma testemunha em tempos difíceis. Ele viveu sua vocação com alegria até o fim. É por isso que vamos para lá.
Ao mesmo tempo, fomos positivamente surpreendidos ao saber, uma vez que o encontro já estava preparado, que outro SCJ, Martino Capelli, também será beatificado. Portanto, este encontro acontece “entre dois bem-aventurados”. Penso que será uma belíssima oportunidade para refletirmos sobre nossa vocação à santidade, nossa vocação de sermos testemunhas do Coração de Jesus e do Evangelho em nossas próprias realidades.
Quantos são os bispos dehonianos e em quais países ou regiões eles atuam?
Temos 24 bispos. Quase metade deles está aposentada. Os outros, os que estão na ativa, trabalham principalmente na América Latina, especialmente no Brasil. Outro grupo está na Europa e na África, e um deles está na Ásia, embora já aposentado. Eles atuam em contextos muito diferentes — áreas rurais, grandes cidades — e sabem muito bem como a Igreja vive e evolui em seus lugares. É maravilhoso ter a oportunidade de compartilhar toda a riqueza de suas experiências. Por isso estarão reunidos, tanto bispos na ativa quanto eméritos. Tenho certeza de que haverá muito o que compartilhar, para refletir sobre a Igreja a partir do nosso carisma e ouvir tantos testemunhos significativos.
O fato de ser religioso e bispo implica certamente um outro modo de funcionamento. Que relação os bispos mantêm com suas congregações religiosas?
Eles permanecem sempre membros de nossa congregação, mas sua obediência vai diretamente ao Papa, e não mais aos superiores da congregação. Eles têm uma relação especial com o Santo Padre. Por isso, aqueles que estão na ativa não vivem em nossas comunidades; residem em suas dioceses. No entanto, permanece uma relação muito próxima com eles, pois sentem que pertencem à congregação. Eles buscam muita inspiração em nossa espiritualidade, e existe uma amizade sólida com muitos membros da congregação — até porque, em muitas dioceses, existem SCJs trabalhando ao lado deles.
Os bispos religiosos são, portanto, sempre membros de sua congregação?
Sim, sempre. Eles continuam membros. É inclusive interessante notar que alguns daqueles que se aposentam voltam a viver em nossas comunidades. Eles possuem um status especial, mas sua vida cotidiana é a de qualquer outro membro da comunidade.
Como este encontro começa em apenas alguns dias, o senhor tem uma mensagem para compartilhar com os bispos dehonianos?
Mais do que uma mensagem, é uma palavra de gratidão. Gostaria de expressar meu reconhecimento — a gratidão da administração geral — porque eles disseram sim. Sabemos que eles têm agendas muito carregadas, mas reservaram um tempo para nos oferecer a oportunidade de estarmos juntos, de compartilharmos nossa vida, nosso carisma, nossa oração e nossa alegria. Isso é algo realmente importante. Então, obrigado a cada um deles. Estou convencido de que será um momento muito forte para nós e que tiraremos ideias e novas perspectivas para continuar servindo ao Evangelho e à Igreja.




