03 junho 2021
03 jun 2021

Morte. Morte?

Morte. Morte?
Morte. Morte? A mesma palavra em entonações contrárias. A filosofia como "mãe da sabedoria" se vê diante de um problema, que envolve o homem, o mundo, os outros e o tempo.  P. Rarden Pedrosa scj publica uma reflexão filosófica na perspectiva Heideggeriana.
por  Rarden Pedrosa, scj

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O tema morte sempre me instigou à pesquisa e reflexão. Desde que cursei Filosofia na Faculdade São Luiz, em Brusque – SC, mergulhei nas abordagens filosóficas e suas diversas perspectivas tão antigas e sempre novas. Meus primeiros apontamentos foram escritos ao longo do curso de filosofia na Faculdade São Luiz e no trabalho de conclusão apresentei um texto bem mais completo e elaborado. Agora, alguns anos depois, no meio de uma pandemia, fui convidado a rever minha pesquisa, fazer atualizações e transformá-la num livro publicado pela editora Lisbon International Press.

Agradeço a todos, que participaram na realização desta minha primeira publicação, de modo especial ao Grupo Editorial Atlântico e ao Padre Adilson José Colombi, SCJ, meu professor de filosofia, que aceitou prefaciar a obra. Ele escreve: “A obra que o leitor ou a leitora tem em mãos, fruto de árduo trabalho de pesquisa, não só possibilita para os que já conhecem o pensamento heideggardiano adentrar um pouco mais, como também aos que ainda não entraram em contato com seu pensamento ter uma iniciação a respeito de um dos temas bastante significativos da reflexão filosófica de Heidegger. Além de abrir perspectivas de meditações pessoais na compreensão de si mesmo e do ser humano como tal. Só me resta parabenizar o autor e a todos que lhe ofereceram auxílio e incentivo para deixar registrada para sempre esta contribuição que esta obra deixa para os que querem conhecer um pouco mais o pensamento de Heidegger, como também a compreensão do próprio ser humano”.

A obra foi intitulada como “Morte. Morte?”, a mesma palavra em entonações contrárias. Morte é a certeza de nossa existência de que todo ser humano irá morrer. Morte? É a incerteza da temporalidade de não sabermos quando iremos morrer. A filosofia como “mãe da sabedoria” se vê diante de um problema que envolve o homem, o mundo e o tempo. Cícero dizia: “filosofar é aprender a morrer”. Quem nunca pensou na possibilidade de seu próprio fim?

Neste contexto pandêmico, em que as mortes são contabilizadas diariamente e as estatísticas mostram números cada vez mais elevados, pensar sobre a morte nos faz refletir sobre a vida. A pandemia trouxe muitas mudanças em nosso cotidiano, por isso, refletir sobre a morte pode nos levar a assumir um compromisso e um cuidado com a própria vida, com a nossa existência mais concreta.

Segundo Heidegger, o ser humano está inserido no mundo e isto é um fato. Encontra-se numa situação não escolhida por ele – simplesmente está aí. O “da” do termo “Dasein”, ser-aí, é a expressão do humano que está em uma determinada situação, jogado nela e em relação ativa com a mesma. Ao tomar consciência de sua situação, o homem pode assumir “as rédeas” de sua vida e direcioná-la para diferentes sentidos, a partir da escolha que faz diante das suas inúmeras possibilidades. Através da abertura do Dasein ao mundo, o Dasein se lança nas múltiplas possibilidades. O Dasein é “[…] ser a abertura ao acontecer, ser livre para vir ao encontro de suas possibilidades, que se escancaram a partir da impossibilidade absoluta posta pela morte”. O Dasein é um sendo, não está acabado, é um projetar, quer dizer, poder-ser, e enquanto poder-ser o Dasein é sempre suas várias possibilidades. Assim, a morte é para Heidegger uma possibilidade privilegiada do ser humano. Entre tantas possibilidades, há uma, a morte, que é a sua possibilidade mais íntima, porque atinge o seu ser. A morte é a possibilidade em que o Dasein deixa de ser, deixa de existir. Por fim, pode-se dizer que é morrendo que se vive. ‘É dentro da finitude que a vida pode se realizar constantemente’”.

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