Bolonha – A Basílica de São Petrónio de Bolonha, em Itália, acolheu esta tarde de 27 de setembro de 2026 a missa de beatificação do dehoniano Martino Capelli, do salesiano Elia Comini e do diocesano Ubaldo Marchioni, três padres martirizados em 1944 no contexto dos massacres de Monte Sole, perto da cidade de Bolonha.
Os participantes
Presidida em nome do Santo Padre pelo cardeal Marcello Semeraro, prefecto do Dicastério para as Causas dos Santos, a celebração reuniu de forma estimada cerca de 2.500 fiéis, entre os quais 150 concelebrantes, incluindo o cardeal Zuppi, arcebispo de Bolonha, o cardeal Ángel Fernández Artime, pró-prefecto do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, D. Antonio Sozzo, núncio apostólico emérito, vários bispos, bem como o superior geral dos Dehonianos, o Pe. Carlos Luis Suárez, e o reitor-mor da Sociedade Salesiana, Dom Fabio Attard.
Foi com muita emoção e num fervor notável que os representantes da arquidiocese de Bolonha e das duas famílias religiosas envolvidas viveram o rito de beatificação que ocorreu no início da missa.
Rito de beatificação
O rito de beatificação decorreu num ambiente de oração. Depois de o arcebispo local, o cardeal Zuppi, ter dirigido ao delegado do Santo Padre o pedido de beatificação, os diferentes postuladores apresentaram, numa leitura biográfica, os três padres mártires de Monte Sole. A seguir, o cardeal Marcello Semeraro leu a carta apostólica que autoriza a beatificação. Os retratos dos três novos bem-aventurados foram desvelados sob aplausos, antes da procissão das relíquias: uma bíblia e uma pena para o padre Marchioni, o diário pessoal de Dom Comini e um escrito do padre Capelli que selava a entrega total da sua vida ao Senhor.
Uma homilia centrada no testemunho do bom pastor
Na sua homilia, o cardeal Marcello Semeraro usou a imagem do bom pastor para ilustrar o compromisso determinado dos três bem-aventurados junto dos seus fiéis:
Os padres Ubaldo, Elia e Martino compreenderam que a voz do Bom Pastor não os chamava para longe do perigo, mas para junto do seu povo (…) Foi por isso que ficaram. Renunciaram livremente à sua própria segurança para partilhar até ao fim o destino dos irmãos que lhes foram confiados.
Nisso, os três padres martirizados deram um grande testemunho do que é um bom pastor. E nisso, precisou o Cardeal, «manifesta-se a beleza da sua santidade.»
Um herança espiritual para a Igreja
Dom Ubaldo Marchioni, padre diocesano, Dom Elia Comini, salesiano, e o padre Martino Capelli, religioso dehoniano, foram mortos em 1944 na região de Monte Sole, durante os massacres cometidos na Segunda Guerra Mundial. A sua beatificação reconhece o seu martírio e inscreve o seu testemunho na memória da Igreja.
É neste sentido que, à saída da missa, em ação de graças, o superior geral, padre Carlos Luis Suárez, expressou os seus sentimentos de alegria ao ver nesta beatificação um encorajamento para todos nós:
Queremos ver nesta celebração um encorajamento a continuar na fidelidade ao nosso carisma, a continuar a crescer no serviço à Igreja, aos homens e mulheres que também precisam de apoio. Penso que este não é apenas um ponto de chegada, mas sim um ponto de partida para continuar a avançar.
O programa dehoniano desta beatificação prossegue este dia 28 de setembro com uma peregrinação a Monte Sole. Esta colina é o local onde, em 1944, os três padres e mais de 770 pessoas perderam tragicamente a vida.















