“Bendita és tu entre as mulheres, e bendito é o fruto do teu ventre.”
Apenas o seu pequeno coração começou a bater, Jesus já quer provar o seu amor e difundir os seus benefícios. João Batista e toda a sua família experimentam, antes de todos, este amor ardente de Jesus que Maria traz consigo.
Zelo ardente e pressuroso
Cada batida do Coração de Jesus tem, por assim dizer, o seu eco na de Maria, de modo que o amor nestes dois corações se torna o mesmo, assume o mesmo objeto, a mesma intensidade e transborda sobre os homens.
Jesus já testemunhou o seu amor ao seu Pai pelo seu ato de oblação; cumulou a sua Mãe de dons maravilhosos; santificou São José, seu pai adotivo. Agora, quer levar graças de escolha ao seu precursor, São João Batista. Ele atrai Maria para esta viagem misteriosa. O amor dá asas a ambos. Maria, totalmente inebriada pelo zelo ardente e pressuroso de Jesus, corre, voa através de montes e vales: “abiit in montana cum festinatione” [Lc 1,39]. É uma viagem de cem quilómetros que se realizou, provavelmente, em três dias.
Jesus entregou-se ao seu Pai e às almas pelo seu ato de oblação. Ele arde no desejo de começar a redenção. Inflama Maria com o seu zelo. Os seus dois corações não passam de um só. Que amor eles nos testemunham, e que lição de zelo para nós!
Magnificência maravilhosa
Jesus e Maria trazem imensas bênçãos. João Batista estremece no ventre de sua mãe sob a bênção de Jesus. É o estremecimento do amor e do zelo. Ele já queria antecipar os anos e pregar o amor de Dieu e o arrependimento dos pecados cometidos.
Isabel e Zacarias profetizam. Zacarias é curado do seu mutismo. Todas as graças estão reunidas: santificação e vocação do precursor, cura milagrosa, dom de profecia. Que magnificência!
Jesus passa fazendo o bem: “transiit benefaciendo” [At 10,38]. Ah! Como a sua bondade é grande e como esta primeira manifestação é cheia de promessas! Jesus veio, portanto, à terra para abrir as fontes de todas as graças, e Maria é como o carro de fogo que transporta o Messias. Não exigirá a sua bondade uma imensa confiança e uma imensa gratidão?
Oração e ação de graças
Jesus dá-nos também, nesta circunstância, o dom da oração. Ele propõe-se ensinar-nos mais tarde o Pater [Pai Nosso], la oração por excelência. Enquanto espera, dá-nos a Ave Maria, o Magnificat e o Benedictus. O anjo começara a Ave Maria na Anunciação; Isabel continua-a: “Bendita és tu entre as mulheres, diz ela a Maria, e bendito é o fruto do teu ventre” [Lc 1,42]. Bastará à Igreja acrescentar uma invocação para que tenhamos a saudação angélica, a mais bela oração depois do Pater.
“Alegra-te, cheia de graça, o Senhor é contigo”. Toda a doutrina da redenção está aí resumida. O Salvador está com Maria para a abençoar e para derramar por ela as suas graças superabundantes sobre todas as almas de fé e de oração.
As orações de ação de graças também ficarão fixadas a partir daquele dia. O Magnificat e o Benedictus serão para sempre os cânticos de ação de graças da Igreja e das almas piedosas. Era conveniente que, nesta primeira manifestação dos benefícios da encarnação de Jesus e da sua oblação, tivesse lugar também a primeira explosão de ação de graças da Igreja, que era então representada pelas duas famílias de Jesus e de João Batista.
A ação de graças, unida ao amor mais ardente pelo Salvador e ao arrependimento mais vivo por ter ofendido um Deus tão bom, tais devem ser as nossas disposições no fim destas meditações sobre a oblation do Coração de Jesus.
Resolução. – Ó Jesus, com Maria entrego-me ao vosso Coração, ao vosso amor; convosco, entrego-me ao vosso Pai. Ave Maria gratia plena! Pater noster, adveniat regnum tuum! Magnificat anima mea Dominum! Amor, arrependimento, ação de graças! Estes sentimentos transbordam do meu coração.



