16 dezembro 2021
16 dez 2021

Visita do Superior Geral a Moçambique

Visita do Superior Geral a Moçambique
De 24 de outubro a 23 de novembro, o Superior Geral, acompanhado pelo seu Conselheiro para a África, visitou a Província de Moçambique. O Superior Provincial, Pe. Alessandro Capoferri, fala-nos sobre esta visita.
por  Boris Igor Signe, scj
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Caro Pe. Alessandro, O Superior Geral e o seu Conselheiro para a África fizeram a visita oficial à vossa Província, de 24 de outubro a 23 de novembro de 2021. Em que contexto a Província de Moçambique acolheu o Superior Geral e o Conselheiro?

Permite-me começar por dizer que a visita foi uma verdadeira surpresa! Na verdade, esta visita do Superior Geral não estava na nossa programação (nem na dele!)! Foi uma decisão de “última hora”, já que deveriam ter ido para Madagáscar. Devido a problemas com o COVID, eles pediram para mudar para Moçambique. E assim foi! Tivemos apenas uma semana para preparar a visita. O Superior Geral e o seu Conselheiro tiveram a oportunidade de visitar todas as comunidades da nossa Entidade e de conversar com todos os membros da Província. Visitaram os confrades na sua própria comunidade, enquanto eles estavam envolvidos nas suas atividades quotidianas. Acho que deste modo tiveram a possibilidade de contactar com a vida real da nossa Província, com o trabalho dos confrades, com os desafios que enfrentamos, com os nossos sucessos. E esta visita aconteceu enquanto estamos a preparar a celebração dos 75 anos de presença Dehoniana em Moçambique: os primeiros confrades (4 sacerdotes italianos) chegaram a Moçambique em Março de 1947.

Quais são os desafios actuais da Província de Moçambique?

Creio que os nossos desafios devem-se principalmente à tensão entre ter grandes ideias e ter pouco pessoal. Gostaríamos de fazer mais em Moçambique e também fora, participando em alguns projectos da Congregação, em África ou noutra parte do mundo. No entanto, estamos a crescer a um ritmo lento, mas consistente. Temos jovens a fazer a sua formação. Há boas perspectivas!

Outro desafio diz respeito à autossustentabilidade da nossa vida e das nossas actividades. A nossa Entidade precisa fazer um pouco mais para conseguir uma melhor gestão dos bens (casas e terrenos) e dos fundos que pertencem à Província.

Estamos também num momento de “transição”. Os confrades missionários de outras Províncias são cada vez menos. A maioria dos confrades são moçambicanos. Em breve a Província será o reflexo da variedade de culturas presente em Moçambique. Podemos definir este momento como o tempo da “transferência de competências”.

Posso ainda acrescentar outro desafio: o da nossa presença na Igreja local. Precisamos de aprofundar o que oferecemos à igreja e à sociedade em Moçambique. Por esse motivo estamos a fomentar a participação dos leigos na nossa espiritualidade e procuramos caracterizar a nossa presença, insistindo na área social e educativa.

Em sua opinião, a visita do Superior Geral pode trazer um novo dinamismo? Em que nível?

Ainda precisamos de “digerir” a visita, dado que ela ainda está bem fresca nas nossas memórias. No entanto, tenho toda a certeza de que todos os confrades apreciaram o espírito fraterno que estava presente no modo como o Superior Geral e o seu Conselheiro aproximaram as comunidades e cada um dos confrades. Esta foi já uma boa mensagem: o sint unum tornou-se visível. Mais ainda: fomos confrontados com a vida da Congregação. Este tipo de visita deu a todos nós o real sentimento de pertença a uma família mais ampla, uma linda família, a Congregação. Veio recordar a todos nós que a Congregação não se limita a Moçambique.

A visita do nosso Superior Geral ajudou também a acrescentar novas luzes a certas situações que vivemos na Província. Eu diria que acrescentou elementos para o nosso próprio discernimento. Agora compete a nós dar valor ao que ele nos deixou (sugestões, ideias…) e responder a alguns pedidos (difícil, posso eu dizer!)

Portanto, acredito que esta visita nos trouxe algumas novas perspectivas e dinamismo. Estaremos atentos ao que nos foi dito, especialmente sobre como ser mais participativos ao nível da Congregação, visto que o próprio Superior Geral recordou-nos que somos uma Província única. De facto, todos os confrades da nossa Província (100%) fizeram parte de uma comunidade ou de uma experiência internacional. De modo particular, todos os confrades moçambicanos estiveram fora do país, para formação ou para estudos.

A Congregação aguarda com expectativa a IX Conferência Geral, com o tema central sobre o compromisso social dos Dehonianos. Pode dizer-nos algo sobre o compromisso social dos Dehonianos em Moçambique?

Alguma coisa já foi publicada no site da Congregação (https://www.dehoniani.org/en/dehonians-in-mozambique-serving-the-people). Penso que é uma boa descrição sintética do nosso compromisso social. Parece-nos que, onde quer que estejamos presentes, não falta a atenção à realidade social, às situações de pobreza material, intelectual e espiritual. Na esteira do Padre Dehon, os Dehonianos de Moçambique fazem todo o possível para continuar a fazer parte de uma sociedade que está em grande desenvolvimento e em constante mudança. Queremos concretizar o que nos é proposto na Carta Programática para o triénio 2021-2023:

Ser uma Província de Comunidade Evangélica, crítica e responsável protagonista ao lado dos últimos; comunidades que inspiram esperança com a oferta de oportunidades na educação, na promoção humana, no desenvolvimento sustentável; caracterizadas pelo seu ser e pelo seu agir segundo o estilo Dehoniano de amor, de misericórdia e de coração, colocando-se prioritariamente ao serviço dos jovens, com criatividade, como o fez o nosso Fundador, que se doou aos pobres”.

Por este motivo temos um centro no Gurué, dedicado à escolarização e aos trabalhadores; um centro no Molocuè, especialmente destinado aos jovens e à escolarização; a presença nas paróquias, com cuidado social; abertura para ajudar os pobres em Quelimane, até mesmo construir pequenas casas para eles. É também importante o ministério que estamos a desenvolver nas prisões, em Quelimane e em Nicoadala. Gostaria também de acrescentar que em Nampula um Dehoniano está a dedicar parte do seu ministério aos refugiados vindos da província de Cabo Delgado (700.000 pessoas fugiram das suas casas arruinadas pela guerrilha violenta).

Sobre a província de Moçambique

Os Dehonianos estão presentes em Moçambique desde março de 1947. Eles têm evangelizado a parte alta da província da Zambézia. A Diocese de Guruè nasceu dessa presença e trabalho. É hoje uma das zonas mais “cristianizadas” de Moçambique. Os Dehonianos nunca abandonaram o país, mesmo durante o período da independência, apesar de terem perdido os edifícios das missões, os meios de transporte e muitos outros bens, devido a uma opção política: a nacionalização. A guerra civil começou pouco depois da independência, e os Dehonianos decidiram permanecer ao lado do povo moçambicano. Em 1992, as duas partes beligerantes assinaram o acordo de paz e começou uma nova vida. Neste ínterim, algumas paróquias/missões foram assumidas pelo clero diocesano. Actualmente somos responsáveis ​​por 6 paróquias, temos 3 comunidades de formação, 2 escolas, 2 centros para jovens e operários, perto da casa provincial, em Quelimane, e uma outra casa para diversos serviços, em Maputo.

A Província de Moçambique tem 9 comunidades e um total de 46 membros (3 bispos, 29 sacerdotes, 3 diáconos, 11 escolásticos em teologia).

 

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