26 agosto 2026
26 ago. 2026

Cristo, a realização do mundo novo (Cst. 10)

No âmbito do Jubileu Dehoniano (2024–2028), temos o prazer de partilhar a segunda reflexão e testemunho, centrados na Constituição n.º 10.


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A Carta Introdutória do Superior Geral para o Jubileu Dehoniano (2024–2028) destaca que o coração espiritual da nossa celebração assenta na reflexão sobre as Constituições nn. 9–39. Temos o prazer de partilhar a segunda reflexão e testemunho, centrados na Constituição n.º 10.


Enviado na plenitude dos tempos, em obediência ao Pai, Cristo cumpre o seu serviço em favor da multidão.

Pois o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos (Mc 10, 45).

Através da sua solidariedade com os homens e as mulheres como novo Adão, Ele revelou o amor de Deus e proclamou o Reino: esse mundo novo que já está em germe através dos esforços tateantes dos homens e das mulheres e que encontrará a sua realização, para além de todas as expetativas, quando, por meio de Jesus, Deus for tudo em todos.

Sabemos, de facto, que toda a criação geme e sofre com dores de parto até ao presente. E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito, gememos interiormente, aguardando a adoção filial, a libertação do nosso próprio corpo (Rm 8, 22-23).

E, quando todas as coisas Lhe tiverem sido submetidas, então o próprio Filho Se submeterá Àquele que Lhe submeteu todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos (1 Cor 15, 28).

O texto da Cst. 10 articula a transição da experiência de fé para a doação de si mesmo, segundo a entrega de Cristo. Este tema situa-se primordialmente no contexto de «nossa experiência de fé» (Cst. 9). Viver esta experiência de fé em intimidade com Cristo chama os dehonianos a testemunhar a primazia do Reino. Como é que a experiência de fé com Cristo leva a dar testemunho do Reino? A chave reside em compreender que o Reino de Deus não é um conceito distante ou abstrato; pelo contrário, é o mundo novo que veio à luz na própria Pessoa de Jesus e no Seu serviço à multidão.

O Reino tornou-se presente e ativo no «Homem Novo» — isto é, na Pessoa de Jesus que habita no meio de nós. Em outras palavras, afirmar a primazia do Reino significa afirmar a primazia da Pessoa de Jesus. A Cst. 10 enfatiza dois eixos fundamentais da presença do Reino em Cristo: a obediência filial e a solidariedade com a humanidade. Ao assumir plenamente o Seu papel de Novo Adão (Aquele que obedece, serve e dá a Sua vida), Cristo revela o amor de Deus e estabelece concretamente o Seu Reino no desenrolar da história. Este mundo novo, que já germina misteriosamente através dos incertos e hesitantes esforços humanos, encontrará a sua realização última para além de todas as expetativas humanas.

Contudo, dar este testemunho exige uma interiorização prévia e profunda. A tarefa primordial de um dehoniano é acolher a presença do Reino e viver intimamente as suas realidades espirituais. Ao afirmar o dom do Reino e ao consagrar-se mais intimamente a Deus e ao Seu serviço através da profissão religiosa, os dehonianos encontram-se no caminho do seguimento de Cristo — caminhando do «dom da fé» para o «dom de si mesmo». A lógica do testemunho torna-se, assim, uma continuação direta da missão reveladora: se Cristo é o testemunho e a revelação do amor do Pai, os dehonianos devem, por sua vez, ser os testemunhos e a revelação de Cristo para as pessoas do seu tempo. A entrega de Cristo na obediência filial e na solidariedade com a humanidade torna-se o modelo para os dehonianos no seu modo de testemunhar o Seu amor.

Para os dehonianos, estes fundamentos teológicos traduzem-se em compromissos diários radicais. Através da participação ativa na missão da Igreja, os dehonianos servem como sinais visíveis do amor de Cristo, anunciando a renovação do mundo e a vinda do Reino. No entanto, deve ser claramente compreendido que, para os dehonianos, tornar-se um sinal visível vai muito além da mera atividade apostólica; é, antes, uma expressão da doação de si ao viver uma intimidade e solidariedade com Cristo. Mais do que simplesmente realizar um apostolado, os dehonianos olham constantemente para o modo como Cristo Se entregou — para a Sua obediência filial e solidariedade com a humanidade — a fim de que o seu ministério se torne um verdadeiro testemunho da Sua vida. Todos os dias, esta solidariedade íntima sela o seu compromisso espiritual de fazer de toda a sua vida uma oblação reparadora, continuamente oferecida ao Pai pela salvação da humanidade.

(Yudistiro Adifitrityassanto, SCJ)

A minha experiência como Mestre de noviços no Vietname

Um testemunho de vida oferecido pelo Padre Vincent Nguyen, SCJ, Mestre de noviços do nosso Distrito do Vietname.

«Cristo, realização do mundo novo» na Constituição número 10 é o Cristo que obedece completamente ao Pai ao vir ao mundo para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos (Marcos 10, 45). Como novo Adão, Cristo revelou o profundo amor de Deus e anunciou o Reino, o Mundo Novo que Ele realiza através da Sua solidariedade com as pessoas. A solidariedade de Cristo com as pessoas é universal, existindo muitas formas de refletir sobre ela. Como mestre de noviços, num ângulo mais restrito, focar-me-ia na solidariedade de Cristo com os Seus discípulos, particularmente com o grupo central, os doze apóstolos. A solidariedade de Cristo com eles inspira-me no meu ministério.

Pode dizer-se que, como mestre perfeito, antes de enviar os discípulos, em particular o grupo dos doze, a proclamar a Boa Nova, Cristo passou tempo em solidariedade concreta com eles, acompanhando-os e formando-os com amor. A solidariedade concreta de Cristo com eles manifestou-se ao ensinar-lhes a servir, ajoelhando-Se para lavar os pés aos Seus discípulos (Jo 13, 1-15); e ao cuidar deles, preparando pão e peixe para eles comerem (Jo 21, 1-14).

Cristo, como mestre perfeito, convida-me a seguir os Seus passos. Ao seguir os passos de Cristo, sou convidado a espalhar o profundo amor de Deus através de uma solidariedade concreta com os noviços. Preciso de dedicar tempo integral a acompanhar os noviços, o que é feito juntando-me a eles nas orações diárias, transmitindo-lhes conhecimentos sobre o P. Dehon, a Espiritualidade Dehoniana, a Regra de Vida, a Liturgia, a Bíblia Sagrada, o Catecismo da Igreja Católica…, nos encontros individuais mensais e na paciência para os guiar a crescer gradualmente. Estou profundamente consciente de que, ao seguir os passos de Cristo, preciso de fazer muitos sacrifícios. Com tal consciência, ofereço esta oração a Cristo: «Senhor, ensina-me a abraçar este ministério com amor para que eu possa seguir-Te como Aquele que realiza o Mundo Novo».

(Vincent Nguyen Van Dinh, SCJ)

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