No âmbito do Jubileu Dehoniano (2024–2028), temos o prazer de partilhar a quarta reflexão e testemunho, centrados na Constituição n.º 12.
N’Ele, o Homem Novo foi criado à imagem de Deus, na justiça e na santidade da verdade (cf. Ef 4, 24). Ele dá-nos a fé de que, apesar do pecado, do fracasso e da injustiça, a redenção é possível, oferecida e já presente. O seu Caminho é o nosso caminho.
A Cst. 12 conclui a revelação progressiva da identidade de Cristo e as suas implicações para o crente, em particular para os dehonianos, guiando-nos a conhecer Cristo como “o Vivente” e o “Homem Novo”. A Cst. 12 aplica este “saber quem é Cristo” diretamente à condição existencial dos dehonianos que vivem num mundo de pecado, fracasso e injustiça. Passa do facto objetivo da redenção (o ato salvífico de Cristo) para a apropriação subjetiva dessa redenção (o nosso chamamento a seguir o seu caminho).P. Yudistiro Adifitrityassanto, SCJ
Testemunho Pastoral: “O seu caminho é o nosso caminho” (Cst. 12)
Um testemunho pessoal do P. Manuel Torres, SCJ, Pároco na Venezuela
Exercer o ministério como Pároco Dehoniano é uma experiência relativamente recente para mim. Depois de terminar a formação inicial, estive a servir a congregação na Escola Técnica Industrial Padre Dehon durante 15 anos. É por isso que estar à frente de uma paróquia é, para mim, redescobrir diariamente que a paróquia não é uma simples estrutura administrativa, mas sim uma comunidade viva de comunidades onde o Ecce Venio se encarna na vida do nosso povo. A nossa Constituição número 12 proclama com vigor uma certeza fundamental: “O seu caminho é o nosso caminho”. Para mim, esta breve frase sintetiza a essência da vida paroquial SCJ; é a bússola que reorienta os meus passos cada vez que abro as portas da igreja ou saio ao encontro dos fiéis no Barrio (as periferias e o coração da nossa comunidade paroquial aqui em Caracas).
No dia a dia da paróquia, assumir que o seu caminho é o nosso caminho significa aprender a olhar, sentir e acolher com os mesmos sentimentos do Coração de Jesus. O caminho de Cristo foi marcado pela disponibilidade absoluta ao Pai e pela proximidade compassiva com os mais frágeis. Como pároco, este caminho traduz-se em gestos muito concretos: estar presente e disponível a tempo e fora de tempo; escutar com paciência a dor dos idosos que sofrem o abandono dos seus familiares que emigraram em busca de uma vida melhor e se esqueceram dos que ficaram; oferecer semanalmente uma refeição digna àqueles que vivem na rua, prisioneiros de vícios e do esquecimento; alimentar a esperança de tantos jovens que apenas conheceram a realidade de um país que, para eles, sempre esteve em declínio; e celebrar os sacramentos não como ritos isolados, mas como a entrega reparadora de um Deus que abraça a nossa fragilidade e vê o nosso sofrimento.
O legado do Venerável Padre Leão Dehon impulsiona-nos a não ficar fechados nas sacristias. A comunidade paroquial desafia-nos constantemente a sair de nós mesmos, indo inclusive para além do nosso território paroquial. Na minha própria experiência, os recentes sismos ocorridos a 24 de junho no nosso país foram também um tempo de graça, quando, juntamente com um grande grupo da comunidade paroquial, saímos para ajudar os nossos irmãos afetados por essa catástrofe com uma generosidade transbordante, sem mesquinharias e dando até mais do que aquilo que tínhamos em casa. Sentimo-nos não só enviados por Cristo, mas acompanhados e impulsionados por Ele. A sua presença próxima é a força secreta que sustenta o desgaste quotidiano e enche de alegria o nosso serviço.
Celebrar este Jubileu perscrutando as Constituições recorda-nos que a oblação e a reparação não são conceitos teóricos, mas sim opções pastorais de vida. Que o Sagrado Coração nos conceda a graça de continuar a unir os nossos passos aos Seus, fazendo de cada Paróquia Dehoniana um farol de comunhão, consolação e esperança para o mundo de hoje.
Fraternalmente no Coração de Jesus,
P. Manuel Torres, SCJ — Pároco


