04 outubro 2020
04 out 2020

Fratelli tutti

Fratelli tutti
Carta de P. Carlos Luis Suárez Codorniú, Superior Geral, por ocasião da publicação da Encíclica "Fratelli tutti" do Papa Francisco.
email email whatsapp whatsapp facebook twitter versão para impressão

Caros confrades e membros da Família Dehoniana,

Por ocasião da festa de São Francisco de Assis, o Papa Francisco nos entregou sua nova encíclica “Fratelli tutti”, assinada ontem diante do túmulo de São Francisco, em Assis. Esta nova encíclica coloca a fraternidade e a amizade social no centro.

A pandemia de Covid-19 irrompeu em nossa vida pessoal, comunitária e social, interpelando-nos a nos reconhecermos sempre mais como irmãos e irmãs frágeis no mesmo barco: “neste tempo que nos cabe viver […] possamos fazer renascer, entre todos, um anseio mundial de fraternidade. Ninguém pode enfrentar a vida isoladamente […]; precisamos duma comunidade que nos apoie, que nos auxilie e dentro da qual nos ajudemos mutuamente a olhar em frente” (FT 8).

Esta nova Encíclica tem muito a dizer à nossa vida dehoniana. A experiência de fé de P. Dehon foi semelhante à de São Francisco. Ambos entenderam que “Deus é amor; quem permanece no amor permanece em Deus e Deus permanece nele ”(1Jo 4,16). Esta mesma experiência de fé é também a nossa experiência de fé (cf. Cst. 9).

Francisco de Assis semeou a paz por toda a parte e caminhou perto dos pobres, dos abandonados, dos doentes, dos abandonados, dos últimos. O seu coração não tinha fronteiras, soube caminhar além das distâncias impostas pela origem, nacionalidade, cor ou religião (cf. FT 2-3). P. Dehon fez o seu “ministério junto aos pequenos e humildes, os operários e os pobres” (Cst. 31) e se entregou à construção do Reino do Sagrado Coração nas almas e nas sociedades. Também nós, segundo os sinais dos tempos, “queremos contribuir para instaurar o reino da justiça e da caridade cristã no mundo” (Cst. 32).

Esta experiência de fé, sem dúvida, exige que tenhamos um coração aberto ao mundo. Neste sentido, a página do Evangelho do Bom Samaritano (cf. Lc 10,25-37) é também um apelo permanente a viver a dimensão social e política da nossa fé. O Papa Francisco, comentando este episódio, escreve: “Dia a dia enfrentamos a opção de ser bons samaritanos ou viandantes indiferentes que passam ao largo. E se estendermos o olhar à totalidade da nossa história e ao mundo no seu conjunto, reconheceremos que todos somos, ou fomos, como estas personagens: todos temos algo do ferido, do salteador, daqueles que passam ao largo e do bom samaritano” (FT 69).

Comentando esta página evangélica, P. Dehon escreveu: “O bom samaritano não tem coração de juiz, mas coração de pai, irmão e amigo; e vocês sabem que o bom samaritano é Jesus, que tem um coração compassivo” (La Couronne du Sacré Coeur, EXT 8035184/5).

Não podemos ficar indiferentes ao convite premente que o Papa dirige a cada um de nós. Somos chamados a ter o coração aberto do bom samaritano para enfrentar “uma série de desafios que nos fazem mover, obrigam a assumir novas perspectivas e produzir novas reações” (FT 128): pessoas que migram, crises humanitárias, relações entre o Oriente e o Ocidente, globalização, degradação social, política melhor, diálogo social, caminho ecumênico, diálogo inter-religioso.

Que a leitura e a reflexão desta nova Encíclica reavivem em cada um de nós, nas nossas comunidades e no nosso apostolado o espírito do bom samaritano, a sensibilidade e o compromisso social do nosso fundador a serviço do Reino.

Fraternalmente no Coração de Jesus,

P. Carlos Luis Suárez Codorniú, SCJ

 

Inscreva-se
na nossa newsletter

SUBSCREVA

Siga-nos
nos nossos canais

 - 

Inscreva-se
na nossa newsletter