18 abril 2026
18 abr. 2026

Visita de Leão XIV a Angola: “O católico angolano ama e respeita muito o Santo Padre”

Depois da Argélia e dos Camarões, o Santo Padre desloca-se neste 18 de abril a Angola. Entrevista com o Superior do Distrito SCJ de Angola, o Padre David Mieiro SCJ, sobre a Igreja local e os Sacerdotes do Sagrado Coração em Angola.

por  Boris Igor Signé, SCJ

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Padre David Mieiro SCJ, depois da Argélia e dos Camarões, o Papa Leão XIV continuará a sua viagem africana em Angola. O que representa esta visita do Santo Padre para a Igreja Católica em Angola

P. David Mieiro SCJ: A visita do Santo Padre Angola acontece por ocasião dos 50 anos de independência e 450 anos de fundação da cidade de São Paulo do Luanda, atual capital. Representa, portanto, não só uma visita à comunidade católica mas a tudo o que representa a história do país. O catolico angolano ama e respeita muito o santo padre não só como instituição mas também porque escuta as suas mensagem e os documentos que escreve. Por isso, receber o Santo Padre é, também, um orgulho porque Angola foi novamente escolhido como um dos primeiros países de África a receber a Visita Apostólica de um novo Pontífice. Angola destaca-se no contexto dos países africanos onde o catolicismo está muito presente pela sua devoção Mariana particularmente é nossa Senhora da Muxima. As comunidades de fé e as paróquias sou muito vivas e a espiritualidade está muito presente na vida do Angolano.

Qual é o lugar que a Igreja Católica ocupa no contexto socio-religioso em Angola?

A Igreja católica em Angola remonta aos finais do século XV com a chegada dos primeiros missionários e o contacto com os Reinos do Congo (actual RDC e Norte de Angola). Representa actualmente 45% da população, segundo o Censo 2024, ou seja, 15.7 milhões de fiéis com tendência a aumentar. A par deste trabalho missionário está a assistencia social tanto das congregações como das dioceses e algumas ONGDs, principalmente nas escolas, nos centros médicos e nas actividades Juvenis. Mais de metade da população tem menos de 30 anos.

Os Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus estão em Angola desde 2004 e têm hoje 3 comunidades, em 2 dioceses. O que fazem concretamente os Sacerdotes do Sagrado Coração em Angola? Têm comunidades nas cidades que irão receber o Santo Padre?

Desde início da Missão em Angola que o nosso foco era apoiar a Igreja local devido à falta de clero e à situação de pós guerra. Quando iniciamos os primeiros contactos ainda Angola estava em guerra civil, que só terminou em 2002. Nós chegamos em 2004, a Luanda, mas já tinhamos o objectivo de abrir outra comunidade no Leste, Província do Moxico. Onde, actualmente temos 2 comunidades (Luau, em 2005, e Luena, 2010). Em todas as comunidades temos uma paróquia. Temos 2 escolas no leste (Luau e Luena). As casa de formaçãotambém são duas: em Luanda para os aspirantes que estudas a filosofia e em Luena pra os que ainda frequentam o ensino médio. E, claro, temos muitos projectos sociais de auxílio às populações: distibuição de água, moagem, serralharia, informática e uma loja de artigos religiosos. 

Para além de Luanda, que é a capital e a primeira paragem da visita papal, será que os confrades de Luau e Luena também terão a oportunidade de participar neste encontro histórico com o Santo Padre?

A Visita Apostólica do Papa Leão XIV prevê alguns encontos e celebrações em Luanda e em Saurimo, no Leste. Assim, as três comunidades poderão participar em alguma parte do programa da visita. Será um momento muito especial para todos, Angola celebou, no ano passado, os seus 50 anos de independência, e algumas dioceses celebaram também o jubileu, como é o caso de Saurimo, onde o Papa irá visitar.Será o 3º papa a visitar Angola, depois de João Paulo II, em 1992, e Bento XVI, em 2009.

A partir das suas funções atuais como Superior do Distrito SCJ de Angola e membro da Direcção Nacional da CIRA (Conferência dos Institutos Religiosos de Angola, quais são, na sua opinião, os principais desafios da Igreja em Angola?

A Conferência dos Institutos Religiosos de Angola – CIRA é um oganismo recente porque é o resultado da fusão das duas organizações masculina e feminina dos Institutos Religiosos. Tem actualmente mais de 130 membos, com tendência para crescer. Ou seja, em chegado a Angola novas congregações, particularmente, algumas que têm carismos muito específicos (migações, por exemplo). Mas também têm sido criados vários Institutos de direito diocesano. A presença dos missionários (locais e estrangeiros) é muito apreciada pela população porque vê neles pessoas de bem, ajudando sem procurar benefícios, fazem-no com amor e muito profissionalismo. Por isso, para nós, membro da Direcção Nacional da CIRA pretendemos criar maior inteacção entre os intitutos que desenvolvem projectos identicos (educação, saude, orfanatos, etc), potenciar a formação inicial e permamente, sem esquecer o acompahamento vocacional. Eu, fiquei encarregue de coordenar a Comissão da Comunicação que ainda não tinha sido criada, mas que era urgente tanto para a comunicação instituicional entre as Congregações como para dar visibilidade ao bem que vamos fazendo e que é um sinal profectico no mundo. Não há mão a medir para o trabalho que temos de fazer tanto na pastoral como social e vocacional.

E quais são as suas expetativas em relação à visita do Santo Padre?

Num clima tão fragmentado, cheio de conflitos, recebê-lo em nossa ‘casa’ é muito encorajador. A sua presença é já, por si só, um motivo de grande entusiásmo. E espero que o Santo Padre possa sentir o carinho que os angolanos têm por ele. Um dos lugares de visita é o Santuário de Nossa Senhora da Muxima (que significa, em kimbundo, ‘Coração’). Este é um dos locais de maior afluência com peregrinações frequentes, retiros e encontros espirituais. As obras de reovação e ampliação das estruturas vai deixá-lo ainda mais especial e com maior capacidade de receber ainda mais peregrinos. Poderá esta esperiência ao nivel logistico e organizativo permiti que Angola receba uma Jornada Mundial da Juventude.

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