25 junho 2021
25 jun 2021

Por que querer ser alguma coisa quando se pode ser alguém?

Há mais de uma década que assistimos a uma progressiva globalização das situações de crise no mundo, a actual pandemia da COVID-19 a sua manifestação mais poderosa. O autor propõe formas de renovar a humanidade em cada um de nós e de uma forma global, partindo de uma releitura das consequências da actual crise provocada pelo Covid-19.

por  P. Daniel Kouobou scj

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Uma leitura panorâmica das notícias do mundo há mais de um decénio dá-nos de perceber a existência de uma globalização progressiva de situações de crise: la sociedade mundial está em crise. A coisificação da lógica política cuja finalidade é a luta pelo poder e o posicionamento individual ao detrimento da vida humana, e a injusta lei da concorrência económica, baseada num crescimento sem desenvolvimento social[1], acabaram por desnaturar em nós a humanidade.

Esta crise mundial que desfigura o homem não poupou a Igreja, que está progressivamente afetada no que tem de mais precioso, isto é, a vida consagrada e a sua exigência profética. De facto, este impacto manifesta-se por uma procura desenfreada do poder, das nomeações com motivações obscuras, fundadas num clientelismo e os prejuízos de um carreirismo hedonista traduzido por uma ignorância de Cristo, por uma «biologia religiosa»[2] e, no pior dos casos, por uma adesão às lojas esotéricas. Deste modo, como poderia ela então continuar a ser uma fonte luminosa para o mundo e atrair novas vocações a não ser que seja sustentada por uma Presença? Esta situação alimenta a crise das vocações sacerdotais e religiosas que flagela toda a Igreja, mas também a crise da fé que, atualmente, conhecem todas as religiões, a humanidade, convidando-nos assim a uma renovação, renascimento da humanidade em cada um de nós. Por isso, não é muito raro, hoje em dia, de constatar que, apesar dos esforços quotidianos para uma vida mais digna e mais prazível, os nossos contemporâneos sombreiam, cada vez mais, num vazio existencial quase suicidário. Portanto, Tratar-se-ia fundamentalmente, nestas crises todas, de uma crise do humano.

A crise do humano

A reação do Flaubert no seu jornal quando recebeu a carta de Baudelaire que o pedia de apoiar a sua candidatura na academia francesa traduz esta crise sempre mais atual e virulenta do humano: «por que querer ser alguma coisa quando se pode ser alguém?». Perante a coisificação e auto coisificação do homem, é urgente questionar-se sobre o sentido da nossa existência e do que nos revela como humanos para que a humanidade possa renascer e as nossas sociedades tornarem-se mais humanizadas. A pandemia atual do COVID-19, que ajoelha o mundo, obrigando-nos a um confinamento quase total, veio no tempo da quaresma, como para nos lembrar a dimensão itinerante da nossa vida: somos todos em caminho, numa solidariedade que, quer nos humaniza e nos santifica que nos bestializa e aniquila. O que as teorias, predicações, estratégias geopolíticas não nos conseguiram fazer compreender, um vírus, o COVID-19, que nos mete todos em crise, ricos e pobres, conseguiu, mediante a dor, demostrar-nos que partilhamos a mesma humanidade, reduzindo assim ao nada qualquer orgulho.

Ficar em casa como medida de prevenção é também estar em retiro, pondo em questão as nossas diferentes opções na vida para poder renascer à humanidade e evitar aquela coisificação existencial que nos reduziria à nossa atividade quotidiana: isto é um redescobrir-se como um ser-com-os-outros e um ser-para-os-outros. Recolher-se assim, numa atitude de quarentena, é também escolher de colher os frutos da vida, recebendo-a como um dom inalienável do qual somos todos beneficiários e protetores.

Assim, este tempo de confinamento deve ser um tempo de recolhimento em que a mudança de atitude até mesmo de aptidão científica deveria permitir-nos de sair dos nossos laboratórios humanos com um radical nascimento do homem novo, um nascimento à radical novidade que fará da humanidade toda uma sinfonia harmónica fundada no amor e na justiça. Se, perante a ameaça do COVID-19, o mundo inteiro se mobiliza para salvar vidas, quanto mais deveríamos unirmos para que, ao sairmos do nosso confinamento, da unidade experimentada por causa desta pandemia brotassem novas utopias societais que nos façam nascer sempre ao humano e construirmos juntos uma civilização que respeita a vida do homem e trabalha, no quotidiano, para a sua salvação. Devemos, então, procurar novos modelos societais, não só para uma saída duradoura da crise, mas sobretudo para conduzir o homem ao seu desenvolvimento integral, indicando-lhe assim essa fonte que, nele e para todos, pode brotar em água viva. Isto supõe por uma tomada de consciência, um noviciado iniciático ao encontro de si mesmo, ao meio-dia da nossa procura de água numa clandestinidade que esconde o ser como no-lo revela o encontro entre Jesus e a Samaritana (Jo 4, 1-30).

Porque «a Samaritana é a admirável figura da crise eclesial contemporânea»[3] e de certo modo a dos contemporâneos em busca da vida, a sua história pode orientar-nos na nossa procura: mulher pecadora que não quer em nada perder a sua pequena felicidade, só o encontro com Cristo no poço de Jacob conduzi-la-á a esta fonte de água viva, onde se experiencia a verdadeira adoração em espírito e em verdade, onde o encontro com Deus e o sujeito adorante é simultâneo. O agravamento desta crise mundial do humano pela pandemia de um vírus desconhecido poderia bem ser o fruto da vontade dos que, num egocentrismo satânico, pensam apenas ao seu pequeno bem-estar ao detrimento das vidas humanas e da falência de muitos países, mas a saída desta crise deve permitir-nos superar o egoísmo que nos coisifica por uma caridade humanizante: ir à fonte de vida é um passo decisivo para obter soluções duradouras. Por isso, «como a Igreja é, de certo modo, em Cristo, o sacramento, isto é, o signo e o instrumento da união íntima com Deus e da unidade de toda a humanidade»[4], ela é chamada a ser, em cada momento da história, uma descoberta a fazer[5] para que a sua missão não seja limitada pelas nossas perceções e tendências muitas vezes erradas e egocêntricas do desígnio de Deus pelo mundo do nosso tempo. Isto introduz-nos numa dinâmica do renovamento pessoal e eclesial no Espírito: devemos abrir as nossas janelas ao Espírito Santo.

O caminho para este renovamento deve começar pela oração: «ensina-nos, Senhor, a verdadeira medida dos nossos dias: que os nossos corações penetram a sabedoria» (Ps 89, 12). Apenas uma verdadeira e profunda consciência de quem somos ajudar-nos-á a melhor nos abrir ao ser que, em nós, quer cada dia nascer em vez de nos agarrar num desejo efémero de sermos alguma coisa, ainda que socialmente respeitável.

Com efeito, toda a nossa vida é uma procura apaixonada e apaixonante do Encontro d’Aquele por quem a humanidade brota em nós, Aquele por quem todos os nossos encontros quotidianos tornam-se vivos e humanizantes, Aquele com quem nos tornamos pessoas e não meros sujeitos consumidores, cuja existência caia tão depressa no esquecimento próprio de um mercado cheio de consumidores anónimos.

A Spiritualidade do Sagrado Coração de Jesus[6], porque surge de um momento de crise, que é a crucifixão de Cristo, explicita melhor este encontro do homem com Deus, abrindo-o à alegria da ressurreição que traduz o estado do homem novo, salvo de qualquer forma de escravatura. Assim, no centro daquilo que parece ser uma fonte de desespero para os discípulos de Emaús (Lc 24, 17-24), e um caminho de fé para o centurião romano (Mt 27, 54), o homem está radicalmente posto em questão e cada um pode «experimentar este estilo de identidade em que as nossas vidas circulam umas nas outras»[7]. Portanto, perante o crucificado, cada um tem a possibilidade de se descobrir e de se pôr a caminho para o humano, Deus e a religião que estão sempre em frente de nós.

Nascer à humanidade

Quando o ritmo atual da vida no mundo inteiro exige de nós que trabalhemos excessivamente para esperarmos ter o mínimo vital, é maior a tentação de nos reduzirmos às nossas necessidades biológicas. Já não temos bastante tempo para viver pois estamos totalmente ocupados pelas diferentes funções assumidas[8]. Numa tal sociedade, será que o termo vocação ainda tem sentido? Quando nos países como o Japão, excessivamente industrializados, a taxa de suicídio vai crescendo, não será que seja um violento grito da humanidade cuja existência está ameaçada? Não seremos perante uma forte ameaça de aniquilamento da humanidade ao proveito da proliferação d’uma «espécie humana» esvaziada de qualquer horizonte e vítima da sua sede e fome de ser cada vez mais alguma coisa? Tais interrogações convidam-nos a entrar num verdadeiro noviciado existencial para daí sair com um sentido radicalmente novo para a humanidade. Temos passado anos a correr sem repouso à procura do mínimo vital até que um simples vírus, o COVID-19 venha confinar-nos nas nossas casas e recordar-nos que somos apenas seres frágeis cuja existência está imersa num oceano de incertezas. Agora, percebemos, melhor do que no passado, que nada de belo, digno e eterno se realiza sem o silêncio e a fé. As maiores potências ocidentais como os países em desenvolvimento, ainda sob o peso da miséria e da sobrevivência no quotidiano, experimentam simultaneamente a sua impotência perante as destruições deste vírus. Os que de antemão tinham posto Deus de lado em nome de uma laicismo ideológico e de escravos, agora ajoelham-se para implorar a sua benevolência como se Deus fosse o tapa-buraco das nossas impotências, aquele que existiria apenas nos limites das nossas possibilidades humanas. Agora, chegou o tempo em que devemos redescobrir o homem e Deus que é «a chave de um mundo que ainda não existe e que não poderá vir em existir sem nós»[9].

A procura desenfreada do benefício e do poder ao nível nacional, internacional e mesmo mundial transformou progressivamente o trabalhador numa «máquina de produção» cuja eficácia é o único critério que determina a salvaguarda do seu emprego. Assim, destruiu-se progressivamente nele o humano ao proveito do mecânico, aniquilando a sua inteligência emocional e confinando-o num stresse de tal modo que ele «procura uma consolação no alcoolismo, na imoralidade e na perversidade»[10]. Deste modo, para sairmos desta crise do humano devemos ser conscientes de que «é uma inteligência completa das causas do mal que prepara a escolha dos remédios e o seu uso»[11]. Na raiz desta crise se encontra justamente a negação da humanidade ao proveito da notoriedade e do benefício. Temos, então, de redescobrir a nossa vocação prima.

A nossa primeira e indispensável vocação é nascer à humanidade para nos inscrever na eternidade[12]. Ela determina, pela consciência que dela tem o sujeito, o longo itinerário que parte do biológico para o místico. É assim que, todos os sinos de alarmes que nos enviam as crises atuais anunciam o fim de uma antropologia hedonista e autorreferencial, tal como o dos sistemas socio-político-eclesiais que a sustentam. O tempo presente está grávida de uma novidade cujo amanhecer aponta-se ao crepúsculo como o «dia do Senhor», anunciado pelo profeta Malaquias (3, 19-20). Precisamos, para entrar nesta novidade, de redescobrir o homem e Deus: a Cruz de Cristo é o lugar desta dupla redescoberta.

Perante a massiva destruição do COVID-19 e das numerosas guerras no mundo, o apelo ao confinamento higiénico como medida de proteção e de prevenção, não é um isolamento, mas um convite a melhor compreender o quão somos responsáveis da vida uns dos outros. Se esta situação crítica é a cruz carregada atualmente pelo mundo, ela deve ajudar-nos a nos tornar para a cruz de Cristo, onde a nossa redenção foi para sempre celada, renovada e anunciada.

Numa sociedade industrializada, não é raro que a pessoa seja confundida à sua tarefa na fila produtiva e que progressivamente os gestos humanos no trabalho sejam apenas gestos de coisas, donde a ideia de uma robotização progressiva do trabalho. Não é também raro notar que atrás das guerras tribais, racistas, ideológicas e religiosas haja uma redução antropológica e uma instrumentalização do outro[13]. Se fôssemos pessoas e se pudéssemos contemplar a humanidade que brota no outro, seriamo-nos capaz de toca um só cabelo da sua cabeça? Para sermos alguém, devemos nascer à humanidade. Isto em nada é o fruto das nossas posses, poderes ou saberes tantas vezes esvaziadas de existência, mas surge como o fruto de um olhar, de um encontro, de um esvaziamento de si mesmo e de uma íntima relação com o crucificado: «hão-de olhar para aquele que trespassaram» (Jo 19, 37 / Za 12, 10). Esta afirmação joanina torna-se então aquela que nos introduz numa descoberta transformadora: «fazer a experiência da nossa humanidade, sermos homem e encontrar Deus é a mesma coisa»[14]. Então, o homem há-de nascer se o encontro não se faz com Deus? Longe de se transformar numa dinâmica intimista e/ou espiritualista, este encontro com Deus supõe que sejamos capazes de nos mergulhar neste silêncio que fecunda a palavra, feita Boa Nova. Este supõe que entremos nesse noviciado existencial onde aprendemos continuamente a desenvolver uma sensibilidade e um acolhimento de tudo o que constitui a realidade humana quotidiana. Trata-se, portanto, de passar de um confinamento não desejado a um encontro transformador, da quarentena à quaresma como saída da nossa terra de escravidão com um modelo social já caduco para à terra prometida com uma nova dinâmica social.

O encontro que transforma

A descoberta simultânea do homem e de Deus realiza-se por excelência no Crucificado: a cruz torna-se então, pelo seu silêncio, a mais profunda palavra sobre Deus e o homem. O olhar fixado em Cristo, se é resignação pelos partidários da «biologia religiosa», dececionados nas suas ambições de vanglória por trás do Rei-Messias, pode ser uma fonte de humanidade e de divinização, porque n’Ele, la vista transforma o mundo, e mesmo a divindade, numa «janela»: o lado trespassado.

Esta experiência contemplativa que, na Criação, permitiu ao Adão, numa síntese poética, de descobrir, na companheira que Deus lhe tinha dada, a resposta à sua sede de ser e ao seu desejo de completude, tem no crucificado a expressão do sentido e do cumprimento deste desejo de ser, manifestado pelo dom de si. O crucificado, pelo seu atraente olhar compassivo, dá-nos de compreender que só nos tornamos alguém quando nascemos à humanidade, isto é, quando compreendemos que somos seres que se recebem para se dar totalmente. A contemplação descentra-nos então de nós mesmos para que sejamos unicamente uma projeção para com o outro.

Portanto, se o olhar nos introduz no conhecimento distinto do outro, o mesmo permite-nos celebrar o encontro com os outros ao mesmo tempo que refletimos com eles sobre o sentido da vida. O Crucificado, grande terapeuta do olhar, porque se dá totalmente para a nossa salvação, entra na eternidade da nossa existência e ensina-nos assim a via de uma existência que nunca entrará no registro das folhas mortas da história, mas será para sempre memória viva e vivificante desta.

Um corpo que canta a eternidade

Se o homem nasce em nós do encontro com Deus, todo o nosso ser torna-se então o berço da divindade e o nosso corpo o orquestra divino que, numa sinfonia harmónica, diz a humanidade na melodia dos gestos simples de cada dia. É então claro que nunca seremos o que fazemos, mesmo se o que fazemos pode ganhar uma marca teologal de eternidade, se nos tornarmos pessoas, tenramente movidas no quotidiano pelo vento de eternidade.

Uma íntima relação com o Crucificado transforma o nosso olhar e nos faz nascer a um novo sentido da existência, em que o ser, a glória e a eternidade enraízam-se no dom de si mesmo, no acolhimento e na partilha, de modo que, o labor quotidiano, na procura de um espaço de segurança, seja sempre simultâneo com a oferta se nós mesmos como espaço de generosidade.

Assim, ao lado de uma cultura da eficácia, do rendimento e do sucesso que mata em nós a humanidade, a nossa capacidade em sermos pessoas, espaço eterno e único de generosidade, ao reduzir-nos numa fila mecânica de produção num sistema competitivo, feito de autoexigência, chantagem ate mesmo de uma alienação suicidária, é urgente oferecer uma cultura do amor gratuito e total[15], que nos humaniza pela dinâmica do som de si mesmo[16], sendo a cruz a sua expressão perfeita.

Redescobrir o trabalho como um lugar de humanização seria uma necessidade para que o encontro entre o desejo adâmico de completude, inerente à nossa existência humana desde o nascimento, e o desejo de dar-se, que nos faz nascer à humanidade ao contemplar o Crucificado, favoreça o florescimento da humanidade em nós para que sejamos, progressivamente, pessoas cujo perfume permanece sempre atraente.

Parece-nos que esta harmonia necessária e urgente, porque deve partir da contemplação do Crucificado, encontra na Espiritualidade do Sagrado Coração de Jesus um caminho interessante.

A espiritualidade do Sagrado Coração, porque tem a sua fonte na contemplação do Crucificado a partir do seu lado trespassado (Jn 19, 34), traduz-se, segundo a intuição do padre João Leão Dehon[17], fundador da Congregação dos Sacerdotes do Coração de Jesus, pela devoção e o empenho social e societal[18] ao serviço dos outros. Esta harmonia faz com que seja, antes de tudo, uma pedagogia do olhar e a devoção que dela nasce um verdadeiro laboratório de encontros íntimos onde o olhar transforma o coração e renova a gramática da experiência humana de cada dia.

Querer ser alguma coisa quando se pode ser alguém será sempre uma escolha suicidária, um chumbo da nossa vocação primordial e um aniquilamento progressivo da humanidade ao proveito da coisificação. No entanto, ter um grande desejo de subir as escadas em sociedade, um desejo de realização pessoal e de nobreza eclesiástica ou social, como manifestação exterior de uma humanização progressiva, pode ser divino se isso nasce do silêncio consigo mesmo e está marcada pelo encontro com o Crucificado, para um renovamento total do projeto de sociedade.

Estando a nossa existência sempre ameaçada pelo risco de coisificação, que nos reduziria à mesma realidade de laboratório para um melhor discurso científico, este estudo cria em nós uma outra sede: como devemos chegar, concretamente, a esta humanização no quotidiano? Em que é que a espiritualidade do Sagrado Coração contribuiria a melhor resolver esta atual crise do humano, respeitando a complexidade própria a cada pessoa e a cada sociedade num mundo sempre em mudança? Torna-se, portanto, importante procurar vias que ajudarão qualquer pessoa a fazer essa caminhada de humanização, mas também o mundo inteiro, a fim de que exercemos a nossa força de humanidade contra todas as ameaças de destruição ou de redução da humanidade no homem.

Bibliographie

ANIKPO, D., La méga-économie : revoir le développement, L’Harmattan, Paris, 2004.

CONCILE VATICAN II, Constitutio dogmatica de ecclesia (LG 1), édition intégrale définitive, préface de Giuseppe Alberigo et traduction de Raymond Winling, Cerf, Paris, 2012.

DEHON, L. J., «La situation actuelle et les causes du malaise social» in Congrès national de la Démocratie chrétienne. Compte rendu organisé par «France Libre», Lyon, Imprimerie Monsieur Paquet, 1897.

DEHON, L. J., Études sur le Sacré-Cœur de Jésus, Desclée de Brouwer & Co, Paris, 1922.

FRANÇOIS (Pape), Dialogue avec les évêques du Japon, 23 Novembre 2019.

GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, Anne Sigier, Canada, 2005.

LEDURE, Y., Spiritualité du Cœur du Christ : ils regarderont celui qu’ils ont transpercé, Nouvelle Citée, Bruyères-le-Châtel, 2015.

LEDURE, Y., «Léon Dehon entre mythe et histoire. L’oubli du sociétal ?» in Dehoniana (2012).

TOLENTINO MENDONÇA, J., A mística do instante: o tempo e a promessa, Paulinas, Prior-Velho, 2014.

WOLFF, F., Notre humanité. D’Aristote aux neurosciences (collection : histoire de la pensée), Fayard, Paris, 2010.

ZUNDEL, M., L’homme existe-t-il ? Éditions du Jubilé, France, 2004.

 

[1] Cf. ANIKPO, D., La méga-économie : revoir le développement, L’Harmattan, Paris, 2004. Cet auteur part du constat que le modèle économique néo-classique est une cause du sous-développement durable perpétuel que connait l’Afrique et tous les pays sous-développé et propose une modèle qui pourrait permettre que l’économie mondiale serve le bonheur du genre humain.

[2] Cf. ZUNDEL, M., «Biologie religieuse et mystique ecclésiale», in GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, Anne Sigier, Canada, 2005, 54.

[3] ZUNDEL, M., «Qu’est-ce que l’homme?», in GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, Anne Sigier, Canada, 2005, 227.

[4] CONCILE VATICAN II, Constitutio dogmatica de ecclesia (LG, 1), édition intégrale définitive, préface de Giuseppe Alberigo et traduction de Raymond Winling, Cerf, Paris, 2012,67.

[5] Cf. ZUNDEL, M., «Biologie religieuse et mystique ecclésiale», in GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, 53.

[6] Dans la suite lorsque nous parlerons de spiritualité du Sacré-Cœur faudra bien entendre qu’il s’agit du Sacré-Cœur de Jésus.

[7] ZUNDEL, M., L’homme existe-t-il ? Éditions du Jubilé, France, 2004, 74.

[8] Cf. TOLENTINO MENDONÇA, J., A mística do instante: o tempo e a promessa, Paulinas, Prior-Velho, 2014, 15-16.

[9] ZUNDEL, M., «Dieu est devant nous», in GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, 139.

[10] DEHON, L., «La situation actuelle et les causes du malaise social» in Congrès national de la Démocratie chrétienne. Compte rendu, organisé par «France Libre», Lyon, Imprimerie Monsieur Paquet, 1897, 122.

[11] IDEM, 124.

[12] L’éternité ici est comprise comme la fidélité à la PAROLE, celle qui est créatrice du SENS et recréatrice d’horizons. Ainsi, la mort n’est conçue ni comme une fin ni comme un passage, mais comme le cachet de la marque déposée de toute existence qui, soit tombe dans l’oubli propre de la logique des clients du supermarché dont personne ne s’en souvient ni du visage ni du nom, soit demeure vivante en toutes les générations par le Sens qu’elle projeta. De ce fait, l’unique frayeur qui vaille la peine est celle de vivre pour tomber dans l’oubli.

[13] Cf. ZUNDEL, M., «L’Homme n’existe pas encore», in GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, 13.

[14] ZUNDEL, M., «L’Homme n’existe pas encore», in GERAUD, G., Maurice Zundel : ses pierres de fondation, 15.

[15] Cf. Pape François, Dialogue avec les évêques du Japon le 23 Novembre 2019.

[16] Cf. LEDURE, Y., Spiritualité du Cœur du Christ: ils regarderont celui qu’ils ont transpercé, Nouvelle Cité, Bruyères-le-Châtel, 2015, 37.

[17] Cf. DEHON, L. J., Études sur le Sacré-Cœur de Jésus, Desclée de Brouwer & Co, Paris, 1922.

[18] Cf. LEDURE, Y., «Léon Dehon entre mythe et histoire. L’oubli du sociétal ?» in Dehoniana (2012).

 

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